Ética da Solidariedade

Em um desses amanheceres, enquanto corria, refletia sobre a fala de Sidarta Ribeiro, em uma das várias entrevistas que eu ouvi dele essa última semana, trazendo a necessidade de discutir um projeto de vida coletiva sob uma nova abordagem, valorizando a solidariedade e a economia responsável (não necessariamente com essas palavras mas com a intenção dessa mensagem). Essas reflexões em tempos de pandemia sobre a decadência do sistema de capital canibal e predatório em que o mundo vive me fez recordar de uma história antiga que meu pai me contou ...

Um homem extremamente ganancioso em sua busca desesperada por riqueza procurou o Diabo para atender sua necessidade de ser "rico". O Diabo ofereceu um simples acordo:

"Vou te entregar um milhão diariamente e você tem que fazer uso desse dinheiro completamente, caso houver um dia que não consiga usar todo o dinheiro sua alma será minha".

Passaram-se dias, meses e anos de riqueza inesgotável, compras de imóveis, veículos, viagens e outras tantas obtenções materiais ... Até que um dia se tornou impossível gastar todo o dinheiro entregue e então o Diabo apareceu para cobrar seu pacto, o homem revoltado questionou o trato:

- Homem: "Você sabia que isso iria acontecer! Me enganou! Isso não me parece justo!"
- Diabo: "Eu, sinceramente, achei que esse dia nunca iria acontecer ..."
- Homem: "Como iria consumir todo dinheiro depois de possuir tudo???"
- Diabo: "Era só você ter compartilhado sua riqueza ..."

Acredito ser emergencial o questionamento sobre o comportamento e os modelos de vida. Considerar nossas ações e os impactos coletivos, o olhar atento as diferentes e tão desiguais realidades, a ecologia e principalmente os rumos que a humanidade podem seguir.

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